Tendo
em meus ancestrais escravos que vieram da Bélgica na metade do século XIX (meus pentavós), pois na Europa a
pressão era muito grande para acabar com o serviço escravo. Mas como nem todos
os europeus são bonzinhos como parecem, para não saírem no prejuízo, viram a
possibilidade de vender seus escravos para a colônia portuguesa que carecia de
mão-de-obra, e por isso recebiam por esse envio. Nesse contexto vieram meu
pentavô Cândido e sua irmã, que por causa da Guerra do Paraguai, foi recrutado
(abduzido) pela Marinha do Brasil, que com seus vapores entraram na Baía de
Todos os Santos para recrutar seus marujos. E lá já se foram quase duas
centenas de anos sem se saber notícias.
Não
devemos esquecer que os escravos só vieram para o Brasil porque era muito
difícil escravizar os Índios, pois havia uma pressão social muito grande contra
a sua escravização, por parte de diversos grupos, principalmente pela igreja.
Por
causa disso os lusitanos se voltaram para a África e Europa onde, no primeiro,
ocorria uma invasão de mercenários e caçadores de negros para trazerem para cá,
enquanto que no segundo, sofriam a pressão para acabar com essa pouca vergonha.
Os
negros, trazidos do continente
Africano, eram transportados
dentro dos porões dos navios negreiros. Devido as péssimas condições deste meio
de transporte, muitos deles morriam durante a viagem. Após o desembarque eles
eram comprados por fazendeiros e senhores de engenho, que os tratavam de forma
cruel e desumana.
A
prática de escravidão até então era considerada “normal” do ponto de vista da
maioria, mas havia aqueles que eram contrários a este tipo de abuso. Estes eram
os abolicionistas (grupo formado por literatos, religiosos, políticos e pessoas
do povo). Contudo, esta prática permaneceu por quase 300 anos. O principal
fator que manteve a escravidão por um longo período foi o econômico. A economia
do país contava somente com o trabalho escravo para realizar as tarefas da roça
para a manutenção das fazendas de cana-de-açúcar, café e outras culturas
extrativista da época. As providências para a libertação dos escravos deveriam
ser tomadas lentamente.
A
partir de 1870, com a utilização dos empregados assalariados brasileiros e
imigrantes estrangeiros, na região sul; no Norte, as usinas substituíram os
primitivos engenhos, fato que permitiu a utilização de um número menor de
escravos. Já nas principais cidades, era grande o desejo do surgimento de
indústrias. Visando não causar prejuízo aos proprietários, o governo,
pressionado pela Inglaterra, foi alcançando seus objetivos aos poucos. O
primeiro passo foi dado em 1850, com a extinção do tráfico negreiro. Vinte anos
mais tarde, foi declarada a Lei do Ventre-Livre (de 28 de setembro de 1871).
Esta lei tornava livre os filhos de escravos que nascessem a partir de sua
promulgação.
Em
1885, foi aprovada a lei Saraiva-Cotegipe ou dos Sexagenários que beneficiava
os negros de mais de 65 anos. Foi em 13 de maio de 1888, através da Lei
Áurea, que liberdade total finalmente foi alcançada pelos negros no Brasil.
Esta lei, assinada pela Princesa Isabel, abolia de vez a escravidão no Brasil.
Em
seguida a abolição dos escravos a vida dos negros continuou muito difícil, pois
os empresários, preferiam contratar os imigrantes europeus do que os ex-escravos,
tornando suas vidas muito abstrusa que se prolongou por muitos anos.
A
situação do negro hoje no Brasil, não ofusca de maneira alguma a conquista da
liberdade de 1888, nem os movimentos que antecederam aquela data, mas nos leva
a sérias reflexões sobre a igualdade e liberdade que pegamos emprestado dos
positivistas europeus, para analisarmos se estamos de fato vivendo isso e
continuar a busca pela liberdade e igualdade que falta aos negros na sociedade
brasileira de nossos dias.

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